A EROSÃO DEMOCRÁTICA COMO REFLEXO DO SEQUESTRO VELADO DA AUTONOMIA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Palavras-chave:
Constitucionalismo, Democracia, Autonomia, Capitalismo de Vigilância, mínimo existencialResumo
O presente artigo analisa a autonomia como valor axiológico central do constitucionalismo e critério de legitimação democrática na sociedade da informação. Investiga-se o nexo de cooriginalidade entre o Direito e a democracia a partir do referencial teórico habermasiano, confrontando-o com os óbices contemporâneos que ameaçam a autonomia do cidadão. A metodologia adotada baseia-se na revisão bibliográfica de natureza teórico-crítica e dogmática. Inicialmente, examina-se como a privação socioeducativa e a violação do mínimo existencial operam como barreiras materiais históricas à capacidade deliberativa. Em seguida, desvelam-se os mecanismos do "capitalismo de vigilância", teorizado por Shoshana Zuboff, demonstrando como os sistemas de Inteligência Artificial e o perfilamento psicométrico transitaram de ferramentas de desinformação textual (fake news) para uma infraestrutura ubíqua de manipulação psicossocial inconsciente. Conclui-se que a fusão entre a escassez material e a atuação velada algorítmica resulta na pulverização dos instrumentos tradicionais de controle democrático e na erosão da autonomia cognitiva individual. Frente a esse cenário de psicopolítica digital, urge que a teoria constitucional promova a positivação de novos direitos fundamentais de terceira e quarta gerações voltados à integridade cognitiva e autônoma e à proteção contra a modulação comportamental.
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